GarrafeiraGarrafeira

A segunda geração da família Niepoort, no final do século XIX, teve a feliz ideia de adquirir a uma vidreira alemã de Oldenburg cerca de 4000 garrafões soprados, de vidro verde-escuro, de capacidades variadas entre 8 a 11 litros, a que hoje chamamos “demijohns”. Eduard Karel Jacob van der Niepoort faleceu cedo e foi o seu filho, Eduard Marius van der Niepoort, avô de Dirk, que deu destino aos “demijohns”, tendo engarrafado os melhores vinhos da vindima de 1931, e assim criaram o tipo “Garrafeira Niepoort”. Desde o longínquo ano de 1931 até aos nossos dias, a maturação nos “demijohns” selados com rolha de cortiça é vigiada atentamente, sendo um ritual quase “sagrado” para as famílias Niepoort e Nogueira. O lançamento para o mercado do Garrafeira 1977 foi precedido de aprofundadas análises, intensas provas (muito interessantes por sinal), de modo a podermos garantir que estávamos a fazer a escolha acertada e que, no momento, estamos perante um vinho próximo da perfeição! Aliás, Garrafeira não é só um vinho; por si só, significa qualidade muito acima dos cânones tradicionais. Na prova, oferece uma experiência única, que só quem prova e sente consegue explicar. Uma enorme mistura de sensações, aromas e sabores com um perfeito equilíbrio entre juventude e experiência, entre a novidade da fruta e a «boa velhice» que só os longos anos de estágio podem conferir.

Vinificação

Com a excepção de um breve período em Julho, o Verão de 1977 foi muito suave. Em Junho, a floração foi marcada por algum desavinho (o que levou a uma pobre formação de cachos). No final de Agosto, as vinhas mostravam-se atrasadas no seu desenvolvimento. No entanto, no início de Setembro, o calor chegou e com ele a rápida maturação das uvas. Como em quase todos os anos clássicos, choveu ligeiramente antes da vindima, o que permitiu às vinhas recuperar níveis hídricos e completar de forma mais perfeita o processo de maturação. A vindima iniciou-se já perto do final de Setembro. Toda a vinificação foi realizada em lagares de granito com 100% de engaço.

Na fermentação, os mostos apresentaram cores muito escuras com tons de roxo e um excelente equilíbrio e acidez. O vinho passou depois 5 anos em cascos nas caves de Vila Nova de Gaia e, em 1982, foi engarrafado para demijohns, onde permaneceu durante 28 anos, sob vigilância apertada, em busca da ocasião perfeita para a decantação para garrafas: o que veio a acontecer em 2007. Desde então, o vinho repousou calmamente nas caves da Niepoort em Vila Nova de Gaia, até que, em Setembro de 2011, foi considerado perfeito para dar a provar !

Notas de Prova

Ainda jovem na cor, mostra-se vermelho acastanhado no centro com bordo mais alaranjado. No nariz, somos transportados para uma dimensão onde tudo é ao mesmo tempo complexo, fino e equilibrado: especiarias, fruto vermelho (ameixas), chocolates e leve tostado com notas de frutos secos e caixa de charutos. O palato confirma apenas o que se espera: elegante, macio, com taninos sedosos que se ligam bem a uma acidez, que transmite ao conjunto grande frescura e prazer. Final persistente, muito agradável e que SABE A QUEM SABE…

Informação Técnica

Produtor

Niepoort (Vinhos) S.A.

Região

Douro

Tipo de Solo

Xisto

Vinhas

Vinhas Velhas do Cima Corgo

Idade das Cepas

80 e mais de 100 anos

Castas

Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Tinta Francisca, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Sousão e outras

Densidade por HA

4000-6000

Período de Vindima

Setembro/Outubro

Forma de Vindima

Manual

Fermentação

Lagares/Pisa a pé

Estágio

Pipas (3 a 6 anos) e demijohns (cerca de 20 anos)

Açúcar Residual (g/dm3)

109.7

Álcool (%)

20.5

Baumé

3.9

Acidez Total (g/dm3)

3.96

SO2 Total (mg/dm3)

32

Sugestão de acompanhamento

Os Garrafeira são o Porto mais fino e elegante que se apresenta no seu melhor quando apreciado sozinho em boa companhia.